Por alguma razão sinistra eu cresci com a impressão de que seria uma pessoa sozinha.
Durante muito tempo eu fiz um trabalho de preparação mental para tal evento. Todos são velhos, dizia minha avó. Sua mãe te pariu com 32 anos, eu tenho mais de 60, em breve só sobrarão você e sua tia retardada. (que é tão egoísta que seria o mesmo que ficar sozinha). A profecia da minha avó é um tanto equivocada. Eu estou com 32 anos e tá todo mundo vivo, alguns bem velhos, mas vivos.
Até os 21 anos eu nunca havia tido um namorado-a. Eu pensava que isso era o tipo de coisa que não acontecia comigo, os meus amigos iam, vinham, e ficavam e terminavam com seus pares, mas comigo as relações se resumiam a ficadas de no máximo 3 ou 4 vezes.
Na verdade eu ficava intrigada quando meus amigos falavam das diferentes sensações de emoção após uma trepada bem dada, especialmente com alguém que se ama. Mas as minhas trepadas, desde a primeira foram bem estranhas... eternamente na dúvida se eu queria mesmo transar com homens, minha primeira vez foi apenas aos 19 anos, com um cara com quem saí algumas vezes antes, mas que nunca havia me prometido nada e nem ligou no dia seguinte. Foi com ele porque o colégio todo queria o cara e ele não dava confiança para ninguém. Foi o meu troféu.
Foi uma boa merda, doeu para cacete e só me confirmou o que eu desconfiava, que meu negócio não era homem. Mas... como sou teimosa, eu resolvi fazer a prova do 3. E experimentei com mais dois, o segundo até que acendia algo em mim, mas não era exatamente o cara mais carinhoso do mundo e volta e meia engravidava uma namorada (não eu graças a deus), e o terceiro era para casar, doce, gentil e carinhoso, mas não me dava nem uma gota de tesão.
Quando eu transei pela primeira vez com uma mulher eu entendi tudo aquilo que as pessoas falavam sobre sexo. Foi incrível. E foi com a minha primeira namorada que foi bem legal comigo na ocasião, foi a primeira vez que eu dormi junto com alguém também.
Alìas, depois dela (a primeira namorada) eu entendi pela primeira vez na vida que eu não havia nascido para ficar só, e que namorar com alguém que gosta de você de verdade é uma delícia. Porém, essa relação acabou após alguns anos e mais uma vez eu me vi sozinha.
Foi bem ruim no começo e eu passei alguns anos sofrendo por essa perda. Acho que é babaquice minha, dificuldade de me desapegar. Se passaram pelo menos dois anos e uma série de tentativas de sexo rápido e sem compromisso com diferentes mulheres até que eu me interessasse por alguém.
De fato isso aconteceu e após os devidos rolos e escorregos ligados as relações lésbicas eu acabei entrando em um outro relacionamento. No começo as coisas pareciam ainda mais legais do que no primeiro namoro. As vezes soava tão perfeito que me dava medo. Mas o tempo passou e atualmente as coisas andam meio estranhas.
Hoje me sinto muito, mas muito triste, sozinha, completamente impotente, como seu houvesse uma força que paira sobre meu relacionamento que é maior do que qualquer esforço que eu possa fazer para tornar as coisas melhores.
Quando eu comecei esta relação, nós brincávamos que havia uma espécie de portal aberto e que nós aproveitamos o portal para ficarmos juntas. As vezes acho que o portal abriu de novo, mas no sentido inverso.
Perceber que a sua presença incomoda o outro é muito ruim, (especialmente se você ama o outro) e de fato é assim que me sinto estranha, intrusa. Desde o primeiro dia que entrei aqui eu sempre havia me sentido em casa, hoje eu queria abrir um buraco e me enfiar, ou no mínimo ter a minha casa e não ter que voltar para casa da minha mãe e dar explicações do por que eu voltei.
Pior ainda é pensar nessa tristeza como uma coisa que não é compartilhada com quase ninguém, pois dá preguiça, ou é complicado e doloroso demais descrever para os amigos aquilo que me deixa assim.
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