Era uma vez um reino distante.
Ele ficava no meio de um bosque, no alto de uma montanha. Nele havia um rei, bonzinho, mas muito submisso e por vezes um pouco chato. Uma rainha mandona e poderosa, que tinha coisas boas e coisas ruins, mas que manipulava toda a corte para que as coisas saíssem sempre do seu jeito. A rainha e o rei tinham três filhas e um filho. Três princesas; a mais velha que acumulou várias riquesas pela vida, mas gastou tudo, nunca se casou e nunca conseguiu morar longe da rainha mãe.
A do meio que fugiu do reino quando tinha 20 e poucos anos e teve uma filha com um plebeu estrangeiro (que a rainha odiava).
E a caçula, que foi mimada por toda a família e nunca teve responsabilidade nenhuma e sempre fez só o que quis. Os principes, um morreu no parto, o segundo morreu em um combate armado. Portanto só o filho mais jovem sobreviveu, e mesmo que ele tenha direito de um dia se tornar o novo rei, a rainha tratou de menosprezá-lo tanto que o principe acabou temendo por sua vida e fugiu do reino com apenas dezoito anos.
Quando a princesa do meio fugiu com o estrangeiro, foi perseguida constantemente pelos guardas da rainha, que era contra seu casamento com o plebeu estrangeiro. Ela fugiu o tanto que ela pode até que foi capturada e obrigada a entregar sua filha para que pudesse tentar ser feliz com o estrangeiro.
A rainha mãe se apegou muito a sua neta, que acabou crescendo muito próxima ao rei e a rainha.
Muitos anos se passaram e a rainha mãe já bastante idosa, ficou muito doente. O principe e as princesas ficaram muito abalados com a doença da rainha. Muito preocupado com seu futuro e o de sua esposa o rei baixou um decreto nomando sua neta como tesoureira, chefe do exército real e dos curandeiros do reino.
As atribuíções da neta princesa eram muitas, e ela é muito jovem. Ela teve que lidar com a ausência da princesa mais nova, com a inexperiência e hesitação da sua mãe, com o descaso do príncipe, e com as tentativas de tomada de poder da princesa mais velha que buscava o controle de todo o reino antes mesmo da morte de sua mãe.
A princesa mais velha tentou de tudo para governar. Mas ninguém queria que a princesa mais velha chegasse ao poder. Porém, as pessoas do reino e da corte tinham muito medo dela, pois a rainha mãe muitos anos antes havia lhe dado um super-poder. A princesa mais velha não se cansa nunca.
Isso é um problema pois a princesa neta é jovem, humana, não tem super poderes e quase nenhum respaldo de ninguém do reino, só seu escudo e sua própria inteligência para lidar com a princesa mais velha.
Porém, como tudo na vida cada vez que a "princesa-rainha" usava seu super-poder ela pagava um preço... a sua saúde se debilitava, um pouquinho a cada dia. Mas uma pessoa que não se cansa nunca tem muitas vantagens sobre nós os pobres mortais, e na tentativa de "estar sempre a frente" da princesa neta ela acabou usando seus poderes em demasia, e é claro acabou pagando com sua saúde. Uma noite a princesa do meio a encontrou quase morta e a levou para os curandeiros do reino que levaram vários dias para tratá-la.
Mas infelizmente nem assim ela aprendeu, e continuou a usar seus poderes e a pagar com sua saúde, portanto vários de seus dentes já caíram, ela caminha com dificuldades e perdeu um pedaço de um dedo da mão.
A saúde do rei também vem se debilitando graças a sua idade avançada, e percebendo isso, ele pediu socorro para a princesa neta. Mas a princesa mais velha por muito tempo não permitiu que a neta ajudasse o avô e abrisse caminho para os curandeiros do reino, e para a administração correta e justa das joias da coroa.
Em uma medida desesperada a neta princesa pediu ajuda aos reinos vizinhos e declarou guerra a princesa mais velha. Após alguns meses de batalha a "princesa rainha" aceitou algumas das condições que a princesa neta a impôs. Foram tantos bombardeios que ela teve medo de ser deposta de seu posto. Além disso, os soldados do reinho que vinham vigiá-la constantemente para mantê-la sob controle.
Mas como a vida da princesa neta não é simples ela vive sob as ameaças constantes da princesa-rainha, que torna tudo o que ela puder mais difícil.
A princesa neta está cansada, afinal ela não tem super poderes.. é muito jovem e só quer viver sua própria vida.
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
domingo, 25 de setembro de 2011
o amor mais rápido do mundo
Existem dois dias na vida de um cão que você nunca esquece: o dia de sua chegada e o dia de sua morte...
Um certo dia eu era bem pequena, tinha uns 2 ou 3 anos e a pequinês da minha vizinha me deu uma super mordida na mão.
Depois desse dia passei a ter pavor de cães. Não sei precisar de certo quanto tempo o medo durou, mas sei que passou um dia, não muito tempo depois, quando eu estava na casa de uma amiga da minha mãe em São Paulo que tinha um cocker preto. No começo eu fiquei apavorada, mas aos poucos o dócil cão me salvou do universo da privação canina. Brincamos a tarde toda, e noite a dentro até que eu cai no sono no chão, abraçada no cão preto.
Após esse dia eu passei a pedir um cão a minha mãe todo final de semana. Mas ela se recusava, e existia uma razão pela recusa na aquisição de um novo canino já que a minha avó ( dona e rainha da casa, portanto se ela não quisesse nada aconteceria) ainda sofria com a perda da Jujuba vira latinha que pertenceu a familia por 16 anos (quinze deles antes do meu nascimento) e se recusava a aceitar um novo cão na casa com medo do sofrimento que sua futura morte causaria.
Um belo dia antes de eu ir para o colégio, a cachorra que fazia a guarda de um colégio para crianças com deficiência mental o lado do prédio dos meus avós teve cria . Nasceram vários viralatinhas pretos e brancos, e de repente meu avô saiu e reapareceu com duas cachorrinhas. Eu não sabia ainda, mas uma era para uma conhecida da minha avó, a outra era nossa.
Estava calor e meu avô colocou seu sungão e pôs-se a lavar as duas cachorrinhas... um mar de pulgas saia junto com a água suja do banho. Minha avó as enxugou em uma toalha laranja, chegou perto de mim com a menorzinha e disse: Aqui está, você não queria então... você escolhe o nome dela, é sua! Eu tinha apenas quatro anos e nenhuma imaginação pensei rápido; estava passando "os Flinstones" na TV e eu disse... " já sei! Eu quero Pedrita!". "Então é Pedrita, disse minha avó animada".
Eu não entendi muito bem porque eu tive o privilégio de escolher o nome dela, e não entendo até hoje, afinal esse privilégio de costume seria da minha tia mais nova (a retardada); acho que uma vez na vida pelo menos minha avó me deu uma oportunidade de passar a sua frente (talvez porque minha avó estivesse ansiosa e ela (a tia) não estivesse em casa) e eu escolhi um nome surrealmente infantil, mas enfim... garantiu um momento de alegria infantil quase infinita para mim!
A Pedrita quando filhote, parecia um chuchu, pelinho comprido, preto e branco, "barriguinha verminosa rs" fuço branco e preto, um doce de filhote, calminha. Sua primeira cama foi a tampa de uma caixa de brinquedos forrada com uma colcha de chenile cor de laranja. Depois meu avô fez uma cama sob medida para ela, com colchãozinho, acabou mesmo dormindo na cama dos meus avós durante quase toda vida.
Eu amava muito a Pedrita, mas ela sempre foi uma seguidora leal da minha avó, rosnava, me mordia, só era companheira mesmo quando eu estava comendo e ela estava pedindo um pouquinho do que eu comia...
Quando a Pedrita tinha sete anos, eu estava no ponto de ônibus com a minha tia (a mais velha - do inferno) esperando para ir ao colégio, quando alguém atirou uma coisa marrom de dentro de um carro. "olha jogaram um rato, ela disse!" - "ratos não tem orelhas pontudas" eu retruquei. Um ônibus vinha a toda, prestes a atropelar o filhote, mas minha tia se colocou na frente e ele freiou. A cachorrinha fugiu desesperada para dentro de um prédio. Eu pulei o muro e fui lá pegá-la. Ela estava morrendo de medo, muito suja e se tremendo toda.
Como a Pedrita não era de muitos amigos, meus avós preferiram não levar a filhota que era muito pequena para junto dela, e ela ficou "guardada" na garagem de um apartamento vazio do prédio dos meus avós. Minha mãe ao ficar sabendo do ocorrido, pediu para ficar com a cachorrinha.
Decidimos juntas dar o nome de Candi. Açúcar candi, dizia a minha mãe, é marrom da cor dela. Eu era fascinada por aquela criaturinha de fuço marrom. Muito simpática. Minha companheirinha, passeávamos juntas, brincávamos a beça, eu a vestia, jogava farinha na sua cara para que ela ficasse branquinha... assistíamos TV juntas.
Tudo era incrível, até que um dia fomos viajar e a deixamos na casa da minha avó. Quando voltamos minha avó disse a minha mãe que queria a cachorrinha para ela, e minha mãe sem pensar muito a deu. Eu fiquei arrasada, minha mãe proferia mil desculpas como "ah o nosso prédio não aceita mais cães" ou "lá ela fica melhor tem mais companhia" mais isso melhorava em nada o meu sofrimento, e mesmo após ter implorado vezes e mais vezes a minha mãe para que ela não fizesse aquilo, mais uma vez, ela preferiu ser filha da minha avó, a ser minha mãe.
Candi passou da terna docilidade a total ferocidade... ficou agressiva, possesiva, não gostava mais de brincar, rosnava, avançava à toa no meu avó, com requintes de crueldade. Fazendo a alegria mórbida das minhas tias e da minha avó que o chamavam de covarde. Chegou a um ponto que ele parou de dormir na mesma cama que minha avó, pois a Candi avançava nele se isso acontecesse.
Além de todos esses absurdos, ela passou a ter problemas de saúde, teve dois derrames, pressão alta, surtos de agressividade sem o menor sentido. Em pouco tempo não se parecia mais em nada com a delícia de cachorrinha que nós criamos.
Pedrita morreu aos 19 anos no ano de 2002 e eu fiquei arrasada. Foi muito triste perde-la, eu praticamente não me lembrava da vida sem ela. Candi no dia seguinte a morte da Pedrita mudou, estava toda grisalha. Passou um ano infernal, se auto mutilou, teve diversos problemas de saúde até que no começo de 2003 eu a flagrei convulsionando em baixo da cama dos meus avós.
O médico veterinário disse várias coisas sobre aquele estado, e prescreveu gardenal. Como a minha tia do inferno se acha uma grande sábia, se recusou a dar a droga para a Candi, dizendo ser um absurdo dar uma droga tão forte a um cão. Candi, não medicada por sua vez foi sofrendo convulsões mais e mais fortes e frequentes até convulsionar quase 6 vezes por dia, no final ela vivia dopada e quando voltava a si, ou convulsionava, ou não nos reconhecia.
No dia 1 de maio de 2003, quando ela tinha 12 anos, meus avós decidiram sacrificá-la.
Foi muito difícil, minha mãe tentou me consolar me levando a uma churrascaria super chique, mas ela mesma acabou se debulhando em lágrimas durante o almoço e eu tive que consolá-la. Chamei meu amigo J. que me fez companhia durante aquela noite, e me consolou em silêncio, até porque eu não conseguia me expressar muito naquele momento.
Algum tempo depois, eu estava muito, mas muito triste com tudo que tinha acontecido, até que a minha ex surgiu com alguns pelinhos da Candi, que ela havia guardado para me dar em um momento oportuno. Só eu sei como aquele gesto me fez bem.
A minha dor persistiu durante algum tempo até que em 2005 eu estava sozinha em casa navagando na internet em uma noite insone e encontrei uma ninhada de fêmeas para doação.
Imediatamente entrei em contato com as meninas e peguei mais informações. Isso foi numa terça ou numa quarta e no domingo eu estava dirigindo com minha Fioninha para casa.
Ela veio em cima de uma caixa de pizza, dormindo. Coisa mais linda, toda marronzinha e branca, com o fuço branco e marrom.
No dia que ela chegou eu me perguntei por várias vezes se era a coisa certa ter mais um cão... até que em um momento ela veio, abanou o rabinho e me deu uma lambida no nariz, aí eu tive certeza que era a coisa certa.
Eu nunca amei uma criatura tão rápido quanto eu amei a Fifi.
É claro que a minha avó tentou pegá-la também, mas eu já estava crescida o suficiente para impedir.
Só eu sei a importância que a Fiona teve na minha vida naquele momento eu estava me sentindo muito sozinha e ela preencheu uma lacuna sem tamanho! Talvez ela com seu coração de cão tenha noção do bem que ela me faz!
Um certo dia eu era bem pequena, tinha uns 2 ou 3 anos e a pequinês da minha vizinha me deu uma super mordida na mão.
Depois desse dia passei a ter pavor de cães. Não sei precisar de certo quanto tempo o medo durou, mas sei que passou um dia, não muito tempo depois, quando eu estava na casa de uma amiga da minha mãe em São Paulo que tinha um cocker preto. No começo eu fiquei apavorada, mas aos poucos o dócil cão me salvou do universo da privação canina. Brincamos a tarde toda, e noite a dentro até que eu cai no sono no chão, abraçada no cão preto.
Após esse dia eu passei a pedir um cão a minha mãe todo final de semana. Mas ela se recusava, e existia uma razão pela recusa na aquisição de um novo canino já que a minha avó ( dona e rainha da casa, portanto se ela não quisesse nada aconteceria) ainda sofria com a perda da Jujuba vira latinha que pertenceu a familia por 16 anos (quinze deles antes do meu nascimento) e se recusava a aceitar um novo cão na casa com medo do sofrimento que sua futura morte causaria.
Um belo dia antes de eu ir para o colégio, a cachorra que fazia a guarda de um colégio para crianças com deficiência mental o lado do prédio dos meus avós teve cria . Nasceram vários viralatinhas pretos e brancos, e de repente meu avô saiu e reapareceu com duas cachorrinhas. Eu não sabia ainda, mas uma era para uma conhecida da minha avó, a outra era nossa.
Estava calor e meu avô colocou seu sungão e pôs-se a lavar as duas cachorrinhas... um mar de pulgas saia junto com a água suja do banho. Minha avó as enxugou em uma toalha laranja, chegou perto de mim com a menorzinha e disse: Aqui está, você não queria então... você escolhe o nome dela, é sua! Eu tinha apenas quatro anos e nenhuma imaginação pensei rápido; estava passando "os Flinstones" na TV e eu disse... " já sei! Eu quero Pedrita!". "Então é Pedrita, disse minha avó animada".
Eu não entendi muito bem porque eu tive o privilégio de escolher o nome dela, e não entendo até hoje, afinal esse privilégio de costume seria da minha tia mais nova (a retardada); acho que uma vez na vida pelo menos minha avó me deu uma oportunidade de passar a sua frente (talvez porque minha avó estivesse ansiosa e ela (a tia) não estivesse em casa) e eu escolhi um nome surrealmente infantil, mas enfim... garantiu um momento de alegria infantil quase infinita para mim!
A Pedrita quando filhote, parecia um chuchu, pelinho comprido, preto e branco, "barriguinha verminosa rs" fuço branco e preto, um doce de filhote, calminha. Sua primeira cama foi a tampa de uma caixa de brinquedos forrada com uma colcha de chenile cor de laranja. Depois meu avô fez uma cama sob medida para ela, com colchãozinho, acabou mesmo dormindo na cama dos meus avós durante quase toda vida.
Eu amava muito a Pedrita, mas ela sempre foi uma seguidora leal da minha avó, rosnava, me mordia, só era companheira mesmo quando eu estava comendo e ela estava pedindo um pouquinho do que eu comia...
Quando a Pedrita tinha sete anos, eu estava no ponto de ônibus com a minha tia (a mais velha - do inferno) esperando para ir ao colégio, quando alguém atirou uma coisa marrom de dentro de um carro. "olha jogaram um rato, ela disse!" - "ratos não tem orelhas pontudas" eu retruquei. Um ônibus vinha a toda, prestes a atropelar o filhote, mas minha tia se colocou na frente e ele freiou. A cachorrinha fugiu desesperada para dentro de um prédio. Eu pulei o muro e fui lá pegá-la. Ela estava morrendo de medo, muito suja e se tremendo toda.
Como a Pedrita não era de muitos amigos, meus avós preferiram não levar a filhota que era muito pequena para junto dela, e ela ficou "guardada" na garagem de um apartamento vazio do prédio dos meus avós. Minha mãe ao ficar sabendo do ocorrido, pediu para ficar com a cachorrinha.
Decidimos juntas dar o nome de Candi. Açúcar candi, dizia a minha mãe, é marrom da cor dela. Eu era fascinada por aquela criaturinha de fuço marrom. Muito simpática. Minha companheirinha, passeávamos juntas, brincávamos a beça, eu a vestia, jogava farinha na sua cara para que ela ficasse branquinha... assistíamos TV juntas.
Tudo era incrível, até que um dia fomos viajar e a deixamos na casa da minha avó. Quando voltamos minha avó disse a minha mãe que queria a cachorrinha para ela, e minha mãe sem pensar muito a deu. Eu fiquei arrasada, minha mãe proferia mil desculpas como "ah o nosso prédio não aceita mais cães" ou "lá ela fica melhor tem mais companhia" mais isso melhorava em nada o meu sofrimento, e mesmo após ter implorado vezes e mais vezes a minha mãe para que ela não fizesse aquilo, mais uma vez, ela preferiu ser filha da minha avó, a ser minha mãe.
Candi passou da terna docilidade a total ferocidade... ficou agressiva, possesiva, não gostava mais de brincar, rosnava, avançava à toa no meu avó, com requintes de crueldade. Fazendo a alegria mórbida das minhas tias e da minha avó que o chamavam de covarde. Chegou a um ponto que ele parou de dormir na mesma cama que minha avó, pois a Candi avançava nele se isso acontecesse.
Além de todos esses absurdos, ela passou a ter problemas de saúde, teve dois derrames, pressão alta, surtos de agressividade sem o menor sentido. Em pouco tempo não se parecia mais em nada com a delícia de cachorrinha que nós criamos.
Pedrita morreu aos 19 anos no ano de 2002 e eu fiquei arrasada. Foi muito triste perde-la, eu praticamente não me lembrava da vida sem ela. Candi no dia seguinte a morte da Pedrita mudou, estava toda grisalha. Passou um ano infernal, se auto mutilou, teve diversos problemas de saúde até que no começo de 2003 eu a flagrei convulsionando em baixo da cama dos meus avós.
O médico veterinário disse várias coisas sobre aquele estado, e prescreveu gardenal. Como a minha tia do inferno se acha uma grande sábia, se recusou a dar a droga para a Candi, dizendo ser um absurdo dar uma droga tão forte a um cão. Candi, não medicada por sua vez foi sofrendo convulsões mais e mais fortes e frequentes até convulsionar quase 6 vezes por dia, no final ela vivia dopada e quando voltava a si, ou convulsionava, ou não nos reconhecia.
No dia 1 de maio de 2003, quando ela tinha 12 anos, meus avós decidiram sacrificá-la.
Foi muito difícil, minha mãe tentou me consolar me levando a uma churrascaria super chique, mas ela mesma acabou se debulhando em lágrimas durante o almoço e eu tive que consolá-la. Chamei meu amigo J. que me fez companhia durante aquela noite, e me consolou em silêncio, até porque eu não conseguia me expressar muito naquele momento.
Algum tempo depois, eu estava muito, mas muito triste com tudo que tinha acontecido, até que a minha ex surgiu com alguns pelinhos da Candi, que ela havia guardado para me dar em um momento oportuno. Só eu sei como aquele gesto me fez bem.
A minha dor persistiu durante algum tempo até que em 2005 eu estava sozinha em casa navagando na internet em uma noite insone e encontrei uma ninhada de fêmeas para doação.
Imediatamente entrei em contato com as meninas e peguei mais informações. Isso foi numa terça ou numa quarta e no domingo eu estava dirigindo com minha Fioninha para casa.
Ela veio em cima de uma caixa de pizza, dormindo. Coisa mais linda, toda marronzinha e branca, com o fuço branco e marrom.
No dia que ela chegou eu me perguntei por várias vezes se era a coisa certa ter mais um cão... até que em um momento ela veio, abanou o rabinho e me deu uma lambida no nariz, aí eu tive certeza que era a coisa certa.
Eu nunca amei uma criatura tão rápido quanto eu amei a Fifi.
É claro que a minha avó tentou pegá-la também, mas eu já estava crescida o suficiente para impedir.
Só eu sei a importância que a Fiona teve na minha vida naquele momento eu estava me sentindo muito sozinha e ela preencheu uma lacuna sem tamanho! Talvez ela com seu coração de cão tenha noção do bem que ela me faz!
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
o mecanismo da angustia
"O problema é quando sua mãe deixa de ser sua mãe e passa a ser a filha da sua avó."
Meu analista falava e repetia isso constantemente e infelizmente eu sou obrigada a concordar com ele... isso é um puta, um mega, um super problema do caralho.
Minha mãe volta e meia olha para mim com um olhar de dó (o mecanismo de convencimento da minha mãe oscila entre a chantagem emocional e o ódio incondicional). E manda uma bomba, ou um torpedo do tipo... ah se houvesse uma cura para a doença da sua avó... porra caralho, será que ela não vê mesmo que a vida ficou infinitamente melhor depois que minha avó foi forçadamente deposta do cargo de déspota esclarecida, graças a sua doença e por consequência deixou as outras peças do tabuleiro um pouquinho mais livres para se moverem?
Pelo visto tem peça que nasce grudada no tabuleiro, ou pelo menos colada com fita dupla face, mesmo que descole, sempre se gruda de novo em outro ponto.
Ah quando ela fala isso eu sinto ódio. Mas o problema não é isso, meu ódio é simples e evidente demais. O problema real eu acho, acontece quando a minha mãe tenta impor sua ignorância de peão mandado sobre mim... um exemplo disso, foi seu disparo mais recente, de ontem a tarde: "fiquei tão triste - pausa- suspiro- quando sua avó percebeu que não poderia dar a sopa para o seu avô, o queixo dela começou a tremer e ela começou a chorar" ... frase inocente? Inocente é história para boi dormir, isso é uma artimanha para me prender no emaranhado angustiante que minha avó sustentou por anos, e pelo visto recrutou bem suas soldadas para continuar prendendo seus descendentes nesta teia nojenta e grudenta.
As frases é claro, nunca vem sozinhas... vem acompanhadas de conversas bizarras como relatos de sonhos escatológicos (nunca vi uma criatura com tanta pulsão anal quanto a minha mãe) também de uma sensação de ser um ser perfeito, muito senhor de sua razão e sem grandes problemas. E finalmente para dar o acabamento o creme chantilly da vida da minha mãe... uma recusa permanente por ajuda, que evidentemente só poderia vir "de fora" porque ser filha da minha avó não é fácil não.
Mas acho que da mesma forma que minha mãe se conformou com a posição de "pobre trabalhora" que a minha avó lhe impôs, ela também deve amar sua posição de peão do reino decadente da minha avó. Só pode ser, já que a criatura faz de tudo para se manter na mesma posição!
Minha tia mais velha pode ser do inferno, mas pelo menos optou por tentar destronar minha avó, já que é para ficar maluca e sem dentes junto com a velha...
Ainda no mesmo dia, minha mãe tentava me convencer de que a tristeza de minha avó com relação ao cuidado do meu avô era um sinal de lucidez... lucidez?!?!?!!?
Por que minha mãe precisa tanto se agarrar na imagem de minha avó lúcida? Minha avó não tem memória recente, não retem nada, tá pior que passarinho, pergunta uma coisa, daqui a 1 minuto pergunta a mesma coisa, mexe e remexe nas mesmas coisas procurando algo que nem ela sabe o que é porque já se esqueceu... vê sexo em tudo, acha que a emprega se masturba no banheiro e que meu avô faz sexo com os enfermeiros...
O pior de tudo é que ela tenta empurrar seus delírios para cima de mim.
Insiste nas suas ilusões, me questiona sobre minhas colocações... um inferno. As vezes para me defender, tenho que ficar num vai e vem de argumentos para manter minha palavra, eventualmente eu acabo de saco cheio e vou para o meu quarto, se o saco explode vou para a minha casa. Atualmente é impossível dividir o teto com a minha mãe twenty four seven.
Entre os salpicos de ódio sinto tristeza ao perceber que minha mãe precisa sempre estar na posição submissa a qual minha avó lhe impós a mais de sessenta anos atrás.
Pior ainda é saber que ela prefere alimentar minha angústia com essa ladaínha a se colocar na postura de mãe e proteger a sua filha... a em nome da sua posição de filha de minha avó ela tantas vezes se esquivou.
Meu analista falava e repetia isso constantemente e infelizmente eu sou obrigada a concordar com ele... isso é um puta, um mega, um super problema do caralho.
Minha mãe volta e meia olha para mim com um olhar de dó (o mecanismo de convencimento da minha mãe oscila entre a chantagem emocional e o ódio incondicional). E manda uma bomba, ou um torpedo do tipo... ah se houvesse uma cura para a doença da sua avó... porra caralho, será que ela não vê mesmo que a vida ficou infinitamente melhor depois que minha avó foi forçadamente deposta do cargo de déspota esclarecida, graças a sua doença e por consequência deixou as outras peças do tabuleiro um pouquinho mais livres para se moverem?
Pelo visto tem peça que nasce grudada no tabuleiro, ou pelo menos colada com fita dupla face, mesmo que descole, sempre se gruda de novo em outro ponto.
Ah quando ela fala isso eu sinto ódio. Mas o problema não é isso, meu ódio é simples e evidente demais. O problema real eu acho, acontece quando a minha mãe tenta impor sua ignorância de peão mandado sobre mim... um exemplo disso, foi seu disparo mais recente, de ontem a tarde: "fiquei tão triste - pausa- suspiro- quando sua avó percebeu que não poderia dar a sopa para o seu avô, o queixo dela começou a tremer e ela começou a chorar" ... frase inocente? Inocente é história para boi dormir, isso é uma artimanha para me prender no emaranhado angustiante que minha avó sustentou por anos, e pelo visto recrutou bem suas soldadas para continuar prendendo seus descendentes nesta teia nojenta e grudenta.
As frases é claro, nunca vem sozinhas... vem acompanhadas de conversas bizarras como relatos de sonhos escatológicos (nunca vi uma criatura com tanta pulsão anal quanto a minha mãe) também de uma sensação de ser um ser perfeito, muito senhor de sua razão e sem grandes problemas. E finalmente para dar o acabamento o creme chantilly da vida da minha mãe... uma recusa permanente por ajuda, que evidentemente só poderia vir "de fora" porque ser filha da minha avó não é fácil não.
Mas acho que da mesma forma que minha mãe se conformou com a posição de "pobre trabalhora" que a minha avó lhe impôs, ela também deve amar sua posição de peão do reino decadente da minha avó. Só pode ser, já que a criatura faz de tudo para se manter na mesma posição!
Minha tia mais velha pode ser do inferno, mas pelo menos optou por tentar destronar minha avó, já que é para ficar maluca e sem dentes junto com a velha...
Ainda no mesmo dia, minha mãe tentava me convencer de que a tristeza de minha avó com relação ao cuidado do meu avô era um sinal de lucidez... lucidez?!?!?!!?
Por que minha mãe precisa tanto se agarrar na imagem de minha avó lúcida? Minha avó não tem memória recente, não retem nada, tá pior que passarinho, pergunta uma coisa, daqui a 1 minuto pergunta a mesma coisa, mexe e remexe nas mesmas coisas procurando algo que nem ela sabe o que é porque já se esqueceu... vê sexo em tudo, acha que a emprega se masturba no banheiro e que meu avô faz sexo com os enfermeiros...
O pior de tudo é que ela tenta empurrar seus delírios para cima de mim.
Insiste nas suas ilusões, me questiona sobre minhas colocações... um inferno. As vezes para me defender, tenho que ficar num vai e vem de argumentos para manter minha palavra, eventualmente eu acabo de saco cheio e vou para o meu quarto, se o saco explode vou para a minha casa. Atualmente é impossível dividir o teto com a minha mãe twenty four seven.
Entre os salpicos de ódio sinto tristeza ao perceber que minha mãe precisa sempre estar na posição submissa a qual minha avó lhe impós a mais de sessenta anos atrás.
Pior ainda é saber que ela prefere alimentar minha angústia com essa ladaínha a se colocar na postura de mãe e proteger a sua filha... a em nome da sua posição de filha de minha avó ela tantas vezes se esquivou.
O irmão urso
Em 1996 eu conheci meu irmão urso. Eu o amo muito ( na verdade até mais do que algumas pessoas que são da minha família biológica).
Nesses quinze anos de irmandade nós só brigamos sério uma vez, e só paramos de nos falar durante 2 dias.... Mas isso foi ha tempos, em março do ano 2000. Após esse incidente eu que era tão inexperiente nos meandros do amor (de namorado) aos poucos eu fui aprendendo que o irmão urso tem suas imperfeições, mas quando se trata do amor romântico quem não as tem?
Eu mesma já deixei o irmão urso na mão porque estava embriagada por um novo amor.
Depois disso aprendi que o que importa na verdade é a nossa amizade, e isso é inabalável.
Em 1999 eu e o irmão urso ficamos muito próximos por certas coincidências do destino, e passamos a nos ver todos os finais de semana. Naquele ano em certa ocasião estávamos escutando música alta e cantando no carro até que no intervalo entre uma música e outra ele me disse que eu tinha sido a melhor coisa que havia acontecido a ele naquele ano. Eu nunca me esqueci daquele momento.
Aliás uma das grandes qualidados do irmão urso é estar sempre lá quando eu preciso, seja nos momentos bons ou nos ruins. Ele estava ao meu lado quando eu dirigi meu primeiro carro. Quando eu tive alergia a tinta de cabelo e fiquei toda empelotada e vermelha ele veio ficar comigo porque eu estava entediada e não podia sair, quando bateram no meu carro no meio da madrugada ele foi lá me fazer companhia até a polícia chegar, quando minha ex namorada terminou comigo e eu fiquei completamente perdida, sem noção do que era sonho e do que era realidade o irmão urso não saiu do meu lado, ficava sempre comigo, me escutando falar sem parar mas ficando quase sempre em silêncio... simplesmente acenando ou abanando a cabeça.
Uma outra característica que o irmão urso tem (e são poucas as pessoas do meu convívio que me fazem sentir assim) é a capacidade de me deixar feliz e orgulhosa por suas realizações. Já aconteceu mais de uma vez, mas recentemente o irmão urso está morando em uma toca nova, desta vez uma toca só dele, e eu estou muito, mas muito feliz por ele... literalmente contagiada pela sua nova conquista.
Além de tudo isso, nós temos um dialeto só nosso, que vem sendo construído ha anos com uma enorme riqueza de expressões, desde simples substantivos até adjetivos que dão qualidades as coisas; e essa língua, só é compartilhada por quem é muito próximo, pois não é qualquer um que é bem vindo nesse nosso pequeno universo particular.
É claro que todas as minhas namoradas tem que passar pelo crivo e pela aprovação do irmão urso, e vice versa!
As vezes o irmão urso me preocupa... pois por vezes é desleixado com sua saúde, e nesses momentos eu não consigo parar de pensar sobre o que seria de um canino como eu sozinha nesta selva urbana, sem um irmão urso para me proteger?
Nesses quinze anos de irmandade nós só brigamos sério uma vez, e só paramos de nos falar durante 2 dias.... Mas isso foi ha tempos, em março do ano 2000. Após esse incidente eu que era tão inexperiente nos meandros do amor (de namorado) aos poucos eu fui aprendendo que o irmão urso tem suas imperfeições, mas quando se trata do amor romântico quem não as tem?
Eu mesma já deixei o irmão urso na mão porque estava embriagada por um novo amor.
Depois disso aprendi que o que importa na verdade é a nossa amizade, e isso é inabalável.
Em 1999 eu e o irmão urso ficamos muito próximos por certas coincidências do destino, e passamos a nos ver todos os finais de semana. Naquele ano em certa ocasião estávamos escutando música alta e cantando no carro até que no intervalo entre uma música e outra ele me disse que eu tinha sido a melhor coisa que havia acontecido a ele naquele ano. Eu nunca me esqueci daquele momento.
Aliás uma das grandes qualidados do irmão urso é estar sempre lá quando eu preciso, seja nos momentos bons ou nos ruins. Ele estava ao meu lado quando eu dirigi meu primeiro carro. Quando eu tive alergia a tinta de cabelo e fiquei toda empelotada e vermelha ele veio ficar comigo porque eu estava entediada e não podia sair, quando bateram no meu carro no meio da madrugada ele foi lá me fazer companhia até a polícia chegar, quando minha ex namorada terminou comigo e eu fiquei completamente perdida, sem noção do que era sonho e do que era realidade o irmão urso não saiu do meu lado, ficava sempre comigo, me escutando falar sem parar mas ficando quase sempre em silêncio... simplesmente acenando ou abanando a cabeça.
Uma outra característica que o irmão urso tem (e são poucas as pessoas do meu convívio que me fazem sentir assim) é a capacidade de me deixar feliz e orgulhosa por suas realizações. Já aconteceu mais de uma vez, mas recentemente o irmão urso está morando em uma toca nova, desta vez uma toca só dele, e eu estou muito, mas muito feliz por ele... literalmente contagiada pela sua nova conquista.
Além de tudo isso, nós temos um dialeto só nosso, que vem sendo construído ha anos com uma enorme riqueza de expressões, desde simples substantivos até adjetivos que dão qualidades as coisas; e essa língua, só é compartilhada por quem é muito próximo, pois não é qualquer um que é bem vindo nesse nosso pequeno universo particular.
É claro que todas as minhas namoradas tem que passar pelo crivo e pela aprovação do irmão urso, e vice versa!
As vezes o irmão urso me preocupa... pois por vezes é desleixado com sua saúde, e nesses momentos eu não consigo parar de pensar sobre o que seria de um canino como eu sozinha nesta selva urbana, sem um irmão urso para me proteger?
domingo, 18 de setembro de 2011
Rupert Bear
Hoje de manhã eu acordei sentindo uma enorme ternura no meu coração... mais exatamente porque eu acordei me lembrando da primeira vez que dormi com a minha primeira namorada. (na verdade essa foi a primeira vez que eu dormi junto com alguém) Eu acho que acordei me lembrando disso porque eu estava sonhando com uma música que foi uma espécie de trilha sonora daquele momento.
Depois tanto afeto, e carinho transbordantes, fiquei pensando se a maioria das pessoas que eu conheço, ou que fazem parte do meu círculo de amizades conseguem sentir esse tipo de ternura. E acabei chegando a conclusão que a maioria delas é incapaz, ou esconde essa habilidade tão bem que eu pelo menos não percebo sua capacidade de completar-se com esse sentimento que parece sutil mas que pode se tornar enorme.
O próximo passo foi racionalizar a forma como eu sinto ternura por algo. Primeiramente pensei que a responável pelo tal sentimento é a minha enorme memória, e graças a ela consigo reviver momentos que se passaram a dez, quinze e em alguns casos até mais de vinte anos atrás praticamente com a vivacidade do presente. Portanto, por um segundo, mesmo estando na cama com minha amada e atual namorada quando eu acordei hoje domingo 18/09/2011 fui praticamente teletransportada para a manhã de quinta feira 18/05/2000.
Eu podia sentir a rigidez do colchão, o perfume dos lençois recém trocados, os raios de sol batendo pelas frestas da veneziana que esquentavam o pé da cama, o cheiro de novidade que pairava no ar, o olhar de carinho afeto e esperança no rosto de minha ex ao me ver ao seu lado, além é claro da tal musiquinha que inistia em tocar.
Voltando para a ternura, pensei também se nós nascemos com algum tipo de habilidade para senti-la que pode ser alimentada ou oprimida dependendo da vivência e da criação de cada um.
No meu caso, além da grande memória, existiu uma pessoa que sempre alimentou a minha capacidade de sentir ternura... meu avô. Eu cresci muito próxima desse homem que exalava ternura... no jeito que ele escrevia suas poesias apaixonadas e as declamava ao som de música classica, no seu olhar quando ele pegava a foto de seu primeiro cão e choramingava de saudade, no toque carinhoso dele na pele e nos cabelos de minha avó, e nas flores que ele trazia para nós (minha avó, eu e minha tia mais nova - a retardada do outro post) no dia dos namorados.
Minha avó recebia um bouquet de rosas vermelhas, e para minha tia e para mim ele trazia aqueles potinhos cilíndricos de plástico transparente contendo uma rosinha branca ou amarela.
Eu sempre achei aquilo terno, gentil, uma maneira de se sentir amada, incluida... até hoje quando vejo o jeito que meu avô pega no meu rosto com sua mão tremula por conta de seus quase noventa anos de vida, o único sentimento que vem a minha cabeça é a ternura.
De outra maneira minha mãe teve um pingo de responsabilidade nisso, já que certa vez quando eu era bem pequena, minha mãe me disse que a ternura em francês era mais terna do que em português... tendresse dizia ela, "é muito mais ternura do que a nossa ternura". Eu sempre achei mais pomposo do que terno para falar a verdade
Por outro lado conforme os minutos foram passando, eu fui ficando um pouco decepcionada com meus sentimentos de ternura com relação a minha ex. Talvez porque tenho a certeza que da parte dela, a tal ternura por aquele momento, se existiu, ficou naquela manhã; ou talvez tenha ido e vindo no decorrer dos anos em que fomos mais próximas... mas de certa forma, mesmo depois do nosso término ela teve "deslizes" de ternura como nas palavras de carinho que ela me disse logo depois que eu operei os olhos.
Mas de certo quando cada uma foi para o seu lado ela com sua vida e eu com a minha, a ternura pelo menos com relação a mim, do lado de lá parece ter morrido completamente. Talvez ela precise disso para continuar com a vida dela.
Mas eu por minha vez agradeço aos céus todos os dias pela minha atual namorada que é uma pessoa capaz de carregar baldes de ternura e afeto no peito, e apesar da pose de insegura com relação ao meu amor tenha se entregue a mim, com a mesma intensidade e ternura com que eu me entreguei a ela.
a musiquinha do tal momento com a ex para quem ficou curioso: http://www.youtube.com/watch?v=BcSzqqaidbA&ytsession=dmmPmbw3jDpgddmVbncO5LQAjzVzoVxWJl_fPVqc2oolXOn2veCdpXDHccekoR9_wd44GGc6YnNJ4w53qHt11Ri71mWU9oapJ-5R_N_glm_nIBTfPiNfPHNwxd_Vg4p8oWz0I6DBAPfSKgNAY86cMoQTBgbAl96f1TNyxqFkc1UXu-Xuf4n8n0vYYaIg0dgdukTj1mQYqF65G_-L77oiHOrzkjS6Zcxulunv6WucboYbWlH7wCh_xZhf5DnX-rtGZXDyHgrnAetYjGW1RY8ezoDzUOAU4aJtzfq3DKRw-dw
Depois tanto afeto, e carinho transbordantes, fiquei pensando se a maioria das pessoas que eu conheço, ou que fazem parte do meu círculo de amizades conseguem sentir esse tipo de ternura. E acabei chegando a conclusão que a maioria delas é incapaz, ou esconde essa habilidade tão bem que eu pelo menos não percebo sua capacidade de completar-se com esse sentimento que parece sutil mas que pode se tornar enorme.
O próximo passo foi racionalizar a forma como eu sinto ternura por algo. Primeiramente pensei que a responável pelo tal sentimento é a minha enorme memória, e graças a ela consigo reviver momentos que se passaram a dez, quinze e em alguns casos até mais de vinte anos atrás praticamente com a vivacidade do presente. Portanto, por um segundo, mesmo estando na cama com minha amada e atual namorada quando eu acordei hoje domingo 18/09/2011 fui praticamente teletransportada para a manhã de quinta feira 18/05/2000.
Eu podia sentir a rigidez do colchão, o perfume dos lençois recém trocados, os raios de sol batendo pelas frestas da veneziana que esquentavam o pé da cama, o cheiro de novidade que pairava no ar, o olhar de carinho afeto e esperança no rosto de minha ex ao me ver ao seu lado, além é claro da tal musiquinha que inistia em tocar.
Voltando para a ternura, pensei também se nós nascemos com algum tipo de habilidade para senti-la que pode ser alimentada ou oprimida dependendo da vivência e da criação de cada um.
No meu caso, além da grande memória, existiu uma pessoa que sempre alimentou a minha capacidade de sentir ternura... meu avô. Eu cresci muito próxima desse homem que exalava ternura... no jeito que ele escrevia suas poesias apaixonadas e as declamava ao som de música classica, no seu olhar quando ele pegava a foto de seu primeiro cão e choramingava de saudade, no toque carinhoso dele na pele e nos cabelos de minha avó, e nas flores que ele trazia para nós (minha avó, eu e minha tia mais nova - a retardada do outro post) no dia dos namorados.
Minha avó recebia um bouquet de rosas vermelhas, e para minha tia e para mim ele trazia aqueles potinhos cilíndricos de plástico transparente contendo uma rosinha branca ou amarela.
Eu sempre achei aquilo terno, gentil, uma maneira de se sentir amada, incluida... até hoje quando vejo o jeito que meu avô pega no meu rosto com sua mão tremula por conta de seus quase noventa anos de vida, o único sentimento que vem a minha cabeça é a ternura.
De outra maneira minha mãe teve um pingo de responsabilidade nisso, já que certa vez quando eu era bem pequena, minha mãe me disse que a ternura em francês era mais terna do que em português... tendresse dizia ela, "é muito mais ternura do que a nossa ternura". Eu sempre achei mais pomposo do que terno para falar a verdade
Por outro lado conforme os minutos foram passando, eu fui ficando um pouco decepcionada com meus sentimentos de ternura com relação a minha ex. Talvez porque tenho a certeza que da parte dela, a tal ternura por aquele momento, se existiu, ficou naquela manhã; ou talvez tenha ido e vindo no decorrer dos anos em que fomos mais próximas... mas de certa forma, mesmo depois do nosso término ela teve "deslizes" de ternura como nas palavras de carinho que ela me disse logo depois que eu operei os olhos.
Mas de certo quando cada uma foi para o seu lado ela com sua vida e eu com a minha, a ternura pelo menos com relação a mim, do lado de lá parece ter morrido completamente. Talvez ela precise disso para continuar com a vida dela.
Mas eu por minha vez agradeço aos céus todos os dias pela minha atual namorada que é uma pessoa capaz de carregar baldes de ternura e afeto no peito, e apesar da pose de insegura com relação ao meu amor tenha se entregue a mim, com a mesma intensidade e ternura com que eu me entreguei a ela.
a musiquinha do tal momento com a ex para quem ficou curioso: http://www.youtube.com/watch?v=BcSzqqaidbA&ytsession=dmmPmbw3jDpgddmVbncO5LQAjzVzoVxWJl_fPVqc2oolXOn2veCdpXDHccekoR9_wd44GGc6YnNJ4w53qHt11Ri71mWU9oapJ-5R_N_glm_nIBTfPiNfPHNwxd_Vg4p8oWz0I6DBAPfSKgNAY86cMoQTBgbAl96f1TNyxqFkc1UXu-Xuf4n8n0vYYaIg0dgdukTj1mQYqF65G_-L77oiHOrzkjS6Zcxulunv6WucboYbWlH7wCh_xZhf5DnX-rtGZXDyHgrnAetYjGW1RY8ezoDzUOAU4aJtzfq3DKRw-dw
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