Por alguma razão sinistra eu cresci com a impressão de que seria uma pessoa sozinha.
Durante muito tempo eu fiz um trabalho de preparação mental para tal evento. Todos são velhos, dizia minha avó. Sua mãe te pariu com 32 anos, eu tenho mais de 60, em breve só sobrarão você e sua tia retardada. (que é tão egoísta que seria o mesmo que ficar sozinha). A profecia da minha avó é um tanto equivocada. Eu estou com 32 anos e tá todo mundo vivo, alguns bem velhos, mas vivos.
Até os 21 anos eu nunca havia tido um namorado-a. Eu pensava que isso era o tipo de coisa que não acontecia comigo, os meus amigos iam, vinham, e ficavam e terminavam com seus pares, mas comigo as relações se resumiam a ficadas de no máximo 3 ou 4 vezes.
Na verdade eu ficava intrigada quando meus amigos falavam das diferentes sensações de emoção após uma trepada bem dada, especialmente com alguém que se ama. Mas as minhas trepadas, desde a primeira foram bem estranhas... eternamente na dúvida se eu queria mesmo transar com homens, minha primeira vez foi apenas aos 19 anos, com um cara com quem saí algumas vezes antes, mas que nunca havia me prometido nada e nem ligou no dia seguinte. Foi com ele porque o colégio todo queria o cara e ele não dava confiança para ninguém. Foi o meu troféu.
Foi uma boa merda, doeu para cacete e só me confirmou o que eu desconfiava, que meu negócio não era homem. Mas... como sou teimosa, eu resolvi fazer a prova do 3. E experimentei com mais dois, o segundo até que acendia algo em mim, mas não era exatamente o cara mais carinhoso do mundo e volta e meia engravidava uma namorada (não eu graças a deus), e o terceiro era para casar, doce, gentil e carinhoso, mas não me dava nem uma gota de tesão.
Quando eu transei pela primeira vez com uma mulher eu entendi tudo aquilo que as pessoas falavam sobre sexo. Foi incrível. E foi com a minha primeira namorada que foi bem legal comigo na ocasião, foi a primeira vez que eu dormi junto com alguém também.
Alìas, depois dela (a primeira namorada) eu entendi pela primeira vez na vida que eu não havia nascido para ficar só, e que namorar com alguém que gosta de você de verdade é uma delícia. Porém, essa relação acabou após alguns anos e mais uma vez eu me vi sozinha.
Foi bem ruim no começo e eu passei alguns anos sofrendo por essa perda. Acho que é babaquice minha, dificuldade de me desapegar. Se passaram pelo menos dois anos e uma série de tentativas de sexo rápido e sem compromisso com diferentes mulheres até que eu me interessasse por alguém.
De fato isso aconteceu e após os devidos rolos e escorregos ligados as relações lésbicas eu acabei entrando em um outro relacionamento. No começo as coisas pareciam ainda mais legais do que no primeiro namoro. As vezes soava tão perfeito que me dava medo. Mas o tempo passou e atualmente as coisas andam meio estranhas.
Hoje me sinto muito, mas muito triste, sozinha, completamente impotente, como seu houvesse uma força que paira sobre meu relacionamento que é maior do que qualquer esforço que eu possa fazer para tornar as coisas melhores.
Quando eu comecei esta relação, nós brincávamos que havia uma espécie de portal aberto e que nós aproveitamos o portal para ficarmos juntas. As vezes acho que o portal abriu de novo, mas no sentido inverso.
Perceber que a sua presença incomoda o outro é muito ruim, (especialmente se você ama o outro) e de fato é assim que me sinto estranha, intrusa. Desde o primeiro dia que entrei aqui eu sempre havia me sentido em casa, hoje eu queria abrir um buraco e me enfiar, ou no mínimo ter a minha casa e não ter que voltar para casa da minha mãe e dar explicações do por que eu voltei.
Pior ainda é pensar nessa tristeza como uma coisa que não é compartilhada com quase ninguém, pois dá preguiça, ou é complicado e doloroso demais descrever para os amigos aquilo que me deixa assim.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
medo de voar
Sinto muito medo de voar.
Muito mesmo, do tipo que não aproveita os primeiros minutos da viagem. Tem gente que sente tesão na decolagem e até filma. Mas para mim, a coisa só melhora quando escuto aquele "blim blom... o tempo de viagem até Buenos Aires será de duas horas e cinquenta minutos..." Eu só relaxo quando o alarme sonoro toca.
Esse provavelmente foi mais um recurso anti-enlouquecimento que eu criei para não morrer do coração quando viajo de avião. E de fato vem possibilitando que eu entre em aviões já ha uns dois anos. Na minha cabeça a pior parte é a decolagem. De fato nunca gostei da sensação, mesmo quando eu era criança e dormia tranquila nas poltronas do Electra da Varig na ponte aérea RJ-SP.
O medo de voar foi uma das razões pela qual procurei a análise. Não era a única; pior do que ele era a angústia que eu sentia dias antes de voar, seja porque estava longe de casa, ou porque tinha certeza absoluta de que iria morrer.
Em todos esses anos a maior parte das pessoas que conheci se confessou medrosa com relação aos aviões. Tenho amigos comissários de bordo que disseram ter colegas de profissão que só viajam "cheios de remédios nas idéias".
Porém por outro lado, sou fascinada pelas aeronaves. Conheço os modelos, os tamanhos, tenho apreço pela Boeing e medo da Airbus. (mesmo antes da queda do AF).
Eu conheci três pessoas que perderam parentes e amigos em acidentes aéreos. Uma conhecida perdeu o pai em um acidente da Austral linhas aéreas em Nuevo Berlin no Urugay em 1997. As outras duas pessoas perderam amigos e familiares no acidente da Air France em 2009 e além disso, eu mesma fiquei sabendo que duas pessoas que moravam no meu prédio morreram neste acidente também.
Curiosamente minha cabeça começa a funcionar loucamente quando acontece algo assim. No caso dos vizinhos, fiquei pensando quem foi o taxista que os levou daqui do prédio ao aeroporto e como eu mesma já fiz esse trajeto tantas vezes.
Na época do acidente da Air France eu já estava fazendo análise. E mesmo assim, eu quis saber tudo o que se passava na mídia. Lia tudo. Era como se a informação pudesse me salvar de um possível acidente. Fico siderada no assunto. Alguns dizem que isso só serve para me impressionar, mas não. A morte sempre me instigou tanto, que eu procuro saber tudo o que dá sobre ela. Mas não é qualquer morte... quedas de avião e doenças raras ou complicadas como o cancer é que são irresistíveis.
De fato, minha curiosidade me levou a ficar bastante desconfiada da pouca ou nenhuma comunicação entre os orgãos internacionais de aviação/companhias aéreas.
Quando eu começei a escrever este texto, fui pesquisar no google, sobre as causas do acidente da Austral, e que surpresa eu tive, quando vi que foi o congelamento das sondas pitot. O mesmo que levou a uma sequencia de erros entre os pilotos da Air France, devido aos dados incorretos ligados a velocidade do avião.
Será que a queda do antigo DC9 não teria inspirado mudanças no design ou estruturais nas sondas pitot se tivesse ocorrido em um país como os Estados Unidos ou em algum lugar da Europa?
O assunto dos acidentes aéreos na verdade surgiu numa pequena confraternização após o curso de frances em uma agradável pizzaria na Barra da Tijuca, onde um de meus colegas contou a nós sobre sua irmã, morta no AF447. Mas além da morte em si, um detalhe me impressionou. Como o colega é policial federal aduaneiro, ele mesmo fez o embarque da irmã no voo.
Um milhão de coisas atiçaram minha cabecinha é claro. A sensação de ter sido a última pessoa a ter visto a irmã e tê-la embarcado, é horrivel. O fato de conhecer alguém que tinha um parente próximo no voo, torna as coisas mais reais, mais arrepiantes. E por isso matutei sobre o assunto por praticamente 24 horas e estou escrevendo o presente desabafo.
A mesa, todos falamos sobre o medo de voar. Inclusive eu. E cada um encarava a coisa a sua maneira. O rapaz que perdeu a irmã diz que seu medo piorou após o acidente, mas que pelo menos o pesar sobre a morte da irmã melhorou com a análise. A professora de Francês se aventurou por diversos tipos de terapia e teve até crises de choro graças a turbulências mais turbulentas. Mas uma moça que tem um ótimo senso de humor disse uma coisa que me tranquilizou de certa forma: "avião é que nem a máquina do tempo".
Eu até acho que ela encara a própria frase de maneira mais pessimista do que eu estou encarando. Avião é uma máquina do tempo, que pode me levar a tempos muito mais felizes e me trazer de volta para casa. É uma espécie de caixa, cuja sensação quando as coisas vão tranquilas são de um troço que mal sai do lugar. Era meio assim que eu me sentia voando quando era criança.
Desde que minha análise acabou eu nunca mais vooei. E daqui a mais ou menos um mês irei pela primeira vez a Europa. É na verdade o primeiro destino que vou, no qual só será possivel voltar tomando outro avião.
Ir a Europa, é um sonho antigo, tanto quanto estudar medicina eu acho, e que me foi amputado durante muito tempo graças ao "mecanismo da angústia" que me paralisou durante muito tempo. Na verdade desde que começei a análise dei vários passos no sentido desta viagem.
Em 2007 fui a primeira vez para a Argentina, e essa viagem fui fundamental para me direcionar ao tratamento psicanalítico... tive uma crise de angustia e medo tão horrível nesta viagem que decidi dar um basta naquilo. Essa viagem (Argentina 2007) me fez desistir de vários planos que incluiam distâncias e aviões. O que para mim parecia mais como uma amputação ou uma violação.
Eu só fui voar novamente em 2010, após 3 anos e meio de análise que eu tive coragem de entrar em um avião novamente após o fiasco argentino. Foi só aí que me senti segura o suficiente para fazer uma pontezinha aérea só de ida.
No começo de 2011 após algumas viagenzinhas pelo Brasil, encarei Argentina mais uma vez, e entre mortos e feridos, saí vencedora e decidida a encarar uma viagem transoceanica num belíssimo boeing 777 inglês;
Claro que no meio do caminho eu não contava com um xiliquete de meu analista, mas confesso que por nem um segundo o problema com meu analista me fez questionar a viabilidade da viagem a europa.
Angustia além mar, sim talvez eu sinta, mas talvez não. Claro que minha cabecinha é meio doidinha e eu já achei que fosse morrer nessa viagem. As vezes ela me dá medo, mas não desespero, o que é fascinante. Pois faz tempo que eu não se sinto tão livre para explorar uma terra estrangeira como agora.
Muito mesmo, do tipo que não aproveita os primeiros minutos da viagem. Tem gente que sente tesão na decolagem e até filma. Mas para mim, a coisa só melhora quando escuto aquele "blim blom... o tempo de viagem até Buenos Aires será de duas horas e cinquenta minutos..." Eu só relaxo quando o alarme sonoro toca.
Esse provavelmente foi mais um recurso anti-enlouquecimento que eu criei para não morrer do coração quando viajo de avião. E de fato vem possibilitando que eu entre em aviões já ha uns dois anos. Na minha cabeça a pior parte é a decolagem. De fato nunca gostei da sensação, mesmo quando eu era criança e dormia tranquila nas poltronas do Electra da Varig na ponte aérea RJ-SP.
O medo de voar foi uma das razões pela qual procurei a análise. Não era a única; pior do que ele era a angústia que eu sentia dias antes de voar, seja porque estava longe de casa, ou porque tinha certeza absoluta de que iria morrer.
Em todos esses anos a maior parte das pessoas que conheci se confessou medrosa com relação aos aviões. Tenho amigos comissários de bordo que disseram ter colegas de profissão que só viajam "cheios de remédios nas idéias".
Porém por outro lado, sou fascinada pelas aeronaves. Conheço os modelos, os tamanhos, tenho apreço pela Boeing e medo da Airbus. (mesmo antes da queda do AF).
Eu conheci três pessoas que perderam parentes e amigos em acidentes aéreos. Uma conhecida perdeu o pai em um acidente da Austral linhas aéreas em Nuevo Berlin no Urugay em 1997. As outras duas pessoas perderam amigos e familiares no acidente da Air France em 2009 e além disso, eu mesma fiquei sabendo que duas pessoas que moravam no meu prédio morreram neste acidente também.
Curiosamente minha cabeça começa a funcionar loucamente quando acontece algo assim. No caso dos vizinhos, fiquei pensando quem foi o taxista que os levou daqui do prédio ao aeroporto e como eu mesma já fiz esse trajeto tantas vezes.
Na época do acidente da Air France eu já estava fazendo análise. E mesmo assim, eu quis saber tudo o que se passava na mídia. Lia tudo. Era como se a informação pudesse me salvar de um possível acidente. Fico siderada no assunto. Alguns dizem que isso só serve para me impressionar, mas não. A morte sempre me instigou tanto, que eu procuro saber tudo o que dá sobre ela. Mas não é qualquer morte... quedas de avião e doenças raras ou complicadas como o cancer é que são irresistíveis.
De fato, minha curiosidade me levou a ficar bastante desconfiada da pouca ou nenhuma comunicação entre os orgãos internacionais de aviação/companhias aéreas.
Quando eu começei a escrever este texto, fui pesquisar no google, sobre as causas do acidente da Austral, e que surpresa eu tive, quando vi que foi o congelamento das sondas pitot. O mesmo que levou a uma sequencia de erros entre os pilotos da Air France, devido aos dados incorretos ligados a velocidade do avião.
Será que a queda do antigo DC9 não teria inspirado mudanças no design ou estruturais nas sondas pitot se tivesse ocorrido em um país como os Estados Unidos ou em algum lugar da Europa?
O assunto dos acidentes aéreos na verdade surgiu numa pequena confraternização após o curso de frances em uma agradável pizzaria na Barra da Tijuca, onde um de meus colegas contou a nós sobre sua irmã, morta no AF447. Mas além da morte em si, um detalhe me impressionou. Como o colega é policial federal aduaneiro, ele mesmo fez o embarque da irmã no voo.
Um milhão de coisas atiçaram minha cabecinha é claro. A sensação de ter sido a última pessoa a ter visto a irmã e tê-la embarcado, é horrivel. O fato de conhecer alguém que tinha um parente próximo no voo, torna as coisas mais reais, mais arrepiantes. E por isso matutei sobre o assunto por praticamente 24 horas e estou escrevendo o presente desabafo.
A mesa, todos falamos sobre o medo de voar. Inclusive eu. E cada um encarava a coisa a sua maneira. O rapaz que perdeu a irmã diz que seu medo piorou após o acidente, mas que pelo menos o pesar sobre a morte da irmã melhorou com a análise. A professora de Francês se aventurou por diversos tipos de terapia e teve até crises de choro graças a turbulências mais turbulentas. Mas uma moça que tem um ótimo senso de humor disse uma coisa que me tranquilizou de certa forma: "avião é que nem a máquina do tempo".
Eu até acho que ela encara a própria frase de maneira mais pessimista do que eu estou encarando. Avião é uma máquina do tempo, que pode me levar a tempos muito mais felizes e me trazer de volta para casa. É uma espécie de caixa, cuja sensação quando as coisas vão tranquilas são de um troço que mal sai do lugar. Era meio assim que eu me sentia voando quando era criança.
Desde que minha análise acabou eu nunca mais vooei. E daqui a mais ou menos um mês irei pela primeira vez a Europa. É na verdade o primeiro destino que vou, no qual só será possivel voltar tomando outro avião.
Ir a Europa, é um sonho antigo, tanto quanto estudar medicina eu acho, e que me foi amputado durante muito tempo graças ao "mecanismo da angústia" que me paralisou durante muito tempo. Na verdade desde que começei a análise dei vários passos no sentido desta viagem.
Em 2007 fui a primeira vez para a Argentina, e essa viagem fui fundamental para me direcionar ao tratamento psicanalítico... tive uma crise de angustia e medo tão horrível nesta viagem que decidi dar um basta naquilo. Essa viagem (Argentina 2007) me fez desistir de vários planos que incluiam distâncias e aviões. O que para mim parecia mais como uma amputação ou uma violação.
Eu só fui voar novamente em 2010, após 3 anos e meio de análise que eu tive coragem de entrar em um avião novamente após o fiasco argentino. Foi só aí que me senti segura o suficiente para fazer uma pontezinha aérea só de ida.
No começo de 2011 após algumas viagenzinhas pelo Brasil, encarei Argentina mais uma vez, e entre mortos e feridos, saí vencedora e decidida a encarar uma viagem transoceanica num belíssimo boeing 777 inglês;
Claro que no meio do caminho eu não contava com um xiliquete de meu analista, mas confesso que por nem um segundo o problema com meu analista me fez questionar a viabilidade da viagem a europa.
Angustia além mar, sim talvez eu sinta, mas talvez não. Claro que minha cabecinha é meio doidinha e eu já achei que fosse morrer nessa viagem. As vezes ela me dá medo, mas não desespero, o que é fascinante. Pois faz tempo que eu não se sinto tão livre para explorar uma terra estrangeira como agora.
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
início meio e fim
Hoje pela primeira vez minha mãe deu um banho em minha avó.
Digo pela primeira vez, pois minha mãe vendo o estado de minha avó (sem banho as vezes durante meses), nunca anteriormente havia obtido nenhum sucesso na tentativa de execução de uma bela sessão de limpeza. Minha avó muitas vezes gritava que não! Que não queria... e minha tia insistia em dizer que não deveríamos forçar minha avó. Que deveríamos respeitá-la.
Mais uma vez o império da maluquice da minha avó e seus suditos fiéis falavam mais alto do que a lógica e o bom senso. Que vergonha eu tenho da minha família as vezes.
Na verdade um grande problema no trato com meus avós na posição de idosos/quase incapazes, foi o fato de minha tia ter continuado tratando minha avó como uma pessoa "normal" quando ela mostrava sinais de demência bem claros. E graças a isso, rolava um impasse na "manutenção" dos velhos. Nada mudava, pois de um lado tinha minha tia "respeitando" as vontades de minha maluquete avó, e do outro minha pondo panos quentes nos sintomas, sempre dizendo que minha avó não estava tão mal assim, buscando sempre um fio de esperança nos momentos de lucidez de minha avó.
Na semana passada, após quase 3 anos do começo dessa maluquice toda de avós doentes, minha tia se rendeu. Me pediu para levar minha avó ao médico, pediu também que eu desse banhos nela, pois ela estava fedendo. Eu rebati dizendo que pediria ajuda a minha mãe. Para minha surpresa, minha tia não disse nada.
Digo isso pois fico desconfiada que minha tia mais velha trabalha em um movimento constante de drag me to hell, para dividir com ela o posto de gárgula soberana no trato dos meus avós.
O cacete espinhento que eu entro nessa. Depois de quase cinco anos de análise consegui meio passe de liberdade capenga dessa família doida e ela fica tentando amarrar o laço em mim de volta e me puxar para dentro do castelo... é ruim ein!
Aos poucos meu ex analista foi me convencendo que o "mecanismo da angustia" imposto pela minha família tinha muito a ver com a imposição irrestrita das maluquices da minha avó, custe o que custasse. (isso pode ser a minha leitura... talvez, mas acho que mexer nas peças trouxe resultado sim).
A maluquice de vovi, é tão doida que ela continua mesmo maluquete do alzheimer, torturando vôvi e tia do inferno sempre que pode.
Meu avô hoje veio me dizer pela enésima vez que sofre quando minha avó diz "Eu quero morrer". E eu já falei enézima ao cubo, com toda minha paciência que ele é lúcido e ela não, que ele deve relevar este tipo de coisa. Aliás, eu falei, a médica neurologista falou, o cachorro falou o papagaio piou e deus murmurou. Meu avô continua capturado, e minha avó continua implicando.
Tenho paciência e sou doce com os velhos por gentileza. Gritar com eles ou perder a paciência seria o mesmo que agredir a um bebe. Claro, rebato as maluquices da minha avó, mas no máximo quando ela me agride fisica ou moralmente eu a "coloco de castigo" sentadinha no sofá e explico porque ela não deve fazer as coisas daquele jeito.
Por outro lado entretanto, em apenas alguns meses, as coisas mudaram muito na casa dos meus avós. As compras não são mais feitas integralmente na padaria que cobrava um absurdo por um litro de suco de laranja e um pacote de biscoitos. Cifras próximas a 600 reais eram gastas todas as semanas somente em "besteiras", pães biscoitos e afins. Até pouco tempo atrás o cardápio diário da casa era escolhido pela minha avó, que muitas vezes fazia meu avó diabético comer coisas que não podia, e comprava toda semana de uma empresa de comida congelada que vendia marmitas que tinham gosto de isopor e cobravam uma fortuna.
Atualmente minha tia que ganha muito bem e nunca pagou nenhuma conta na casa nos seus 65 anos de vida (vivia sustentada pelos meus avós, mesmo quando tinha um salário mais alto do que o do velho) paga as compras de mercado. Paga reclamando, me enche um pouco a paciência, mas paga.
Meus avós comem comida fresca, feita pela empregada que é uma cozinheira de mão cheia. Meu avô vai ao médico e minha avó depois de meses de uma negligência surreal tomou um banho.
Eu fiquei ao lado da minha mãe durante o banho e olhei para o corpo bem envelhecido de minha avó. Haviam muitas marcas de cola adesiva em suas costas graças ao patch que ela usa diariamente para retardar a evolução da doença de alzheimer. Graças também a falta de asseio na remoção da cola adesiva no momento da troca do adesivo.
Toda semana minha mãe olhava para aquilo e reclamava. Eu dizia: fazer o que? Não podemos tocá-la. Minha avó tirou a roupa e eu olhei bem para seu corpo. Estava bem diferente do que eu me lembrava. Minha avó sempre foi uma mulher cheinha, com curvas e sua pele mesmo quando ela já tinha mais de setenta anos era firme. Hoje não. Ela estava magra, a pela sem tônus, tirando a pele do rosto (que ainda tem viço) a do resto do corpo parecia papiro.
Sua expressão era estranha, um misto de desgosto de sentir a necessidade de ser auxiliada para fazer sua higiene pessoal, e o prazer de se banhar em um dia quente. Minha avó apresenta sinais de impregnação da medicação. Fazia movimentos estereotipados com a boca, por um segundo pensei que ela estava sem prótese dentária, mas não, são os remédios que a mantém um pouco menos doente, mandando seu recado.
Fazia muito calor no banheiro e a água ligava e desligava intermitentemente. Ela reclamava do frio quando o velho aquecedor insistia em não funcionar e desligar a água.
Meu avô ao me ver sair do banheiro com as roupas sujas de minha avó na mão perguntou: ela está tomando banho? Eu disse: Sim. Ele sorriu.
Eu não sei ao certo quantas vezes minha avó me deu banhos, sei que não foram poucas. Alias era isso que minha mãe dizia a ela quando ela repetia durante o banho: "estou dando trabalho, eu não queria fazer isso com vocês".
Digo pela primeira vez, pois minha mãe vendo o estado de minha avó (sem banho as vezes durante meses), nunca anteriormente havia obtido nenhum sucesso na tentativa de execução de uma bela sessão de limpeza. Minha avó muitas vezes gritava que não! Que não queria... e minha tia insistia em dizer que não deveríamos forçar minha avó. Que deveríamos respeitá-la.
Mais uma vez o império da maluquice da minha avó e seus suditos fiéis falavam mais alto do que a lógica e o bom senso. Que vergonha eu tenho da minha família as vezes.
Na verdade um grande problema no trato com meus avós na posição de idosos/quase incapazes, foi o fato de minha tia ter continuado tratando minha avó como uma pessoa "normal" quando ela mostrava sinais de demência bem claros. E graças a isso, rolava um impasse na "manutenção" dos velhos. Nada mudava, pois de um lado tinha minha tia "respeitando" as vontades de minha maluquete avó, e do outro minha pondo panos quentes nos sintomas, sempre dizendo que minha avó não estava tão mal assim, buscando sempre um fio de esperança nos momentos de lucidez de minha avó.
Na semana passada, após quase 3 anos do começo dessa maluquice toda de avós doentes, minha tia se rendeu. Me pediu para levar minha avó ao médico, pediu também que eu desse banhos nela, pois ela estava fedendo. Eu rebati dizendo que pediria ajuda a minha mãe. Para minha surpresa, minha tia não disse nada.
Digo isso pois fico desconfiada que minha tia mais velha trabalha em um movimento constante de drag me to hell, para dividir com ela o posto de gárgula soberana no trato dos meus avós.
O cacete espinhento que eu entro nessa. Depois de quase cinco anos de análise consegui meio passe de liberdade capenga dessa família doida e ela fica tentando amarrar o laço em mim de volta e me puxar para dentro do castelo... é ruim ein!
Aos poucos meu ex analista foi me convencendo que o "mecanismo da angustia" imposto pela minha família tinha muito a ver com a imposição irrestrita das maluquices da minha avó, custe o que custasse. (isso pode ser a minha leitura... talvez, mas acho que mexer nas peças trouxe resultado sim).
A maluquice de vovi, é tão doida que ela continua mesmo maluquete do alzheimer, torturando vôvi e tia do inferno sempre que pode.
Meu avô hoje veio me dizer pela enésima vez que sofre quando minha avó diz "Eu quero morrer". E eu já falei enézima ao cubo, com toda minha paciência que ele é lúcido e ela não, que ele deve relevar este tipo de coisa. Aliás, eu falei, a médica neurologista falou, o cachorro falou o papagaio piou e deus murmurou. Meu avô continua capturado, e minha avó continua implicando.
Tenho paciência e sou doce com os velhos por gentileza. Gritar com eles ou perder a paciência seria o mesmo que agredir a um bebe. Claro, rebato as maluquices da minha avó, mas no máximo quando ela me agride fisica ou moralmente eu a "coloco de castigo" sentadinha no sofá e explico porque ela não deve fazer as coisas daquele jeito.
Por outro lado entretanto, em apenas alguns meses, as coisas mudaram muito na casa dos meus avós. As compras não são mais feitas integralmente na padaria que cobrava um absurdo por um litro de suco de laranja e um pacote de biscoitos. Cifras próximas a 600 reais eram gastas todas as semanas somente em "besteiras", pães biscoitos e afins. Até pouco tempo atrás o cardápio diário da casa era escolhido pela minha avó, que muitas vezes fazia meu avó diabético comer coisas que não podia, e comprava toda semana de uma empresa de comida congelada que vendia marmitas que tinham gosto de isopor e cobravam uma fortuna.
Atualmente minha tia que ganha muito bem e nunca pagou nenhuma conta na casa nos seus 65 anos de vida (vivia sustentada pelos meus avós, mesmo quando tinha um salário mais alto do que o do velho) paga as compras de mercado. Paga reclamando, me enche um pouco a paciência, mas paga.
Meus avós comem comida fresca, feita pela empregada que é uma cozinheira de mão cheia. Meu avô vai ao médico e minha avó depois de meses de uma negligência surreal tomou um banho.
Eu fiquei ao lado da minha mãe durante o banho e olhei para o corpo bem envelhecido de minha avó. Haviam muitas marcas de cola adesiva em suas costas graças ao patch que ela usa diariamente para retardar a evolução da doença de alzheimer. Graças também a falta de asseio na remoção da cola adesiva no momento da troca do adesivo.
Toda semana minha mãe olhava para aquilo e reclamava. Eu dizia: fazer o que? Não podemos tocá-la. Minha avó tirou a roupa e eu olhei bem para seu corpo. Estava bem diferente do que eu me lembrava. Minha avó sempre foi uma mulher cheinha, com curvas e sua pele mesmo quando ela já tinha mais de setenta anos era firme. Hoje não. Ela estava magra, a pela sem tônus, tirando a pele do rosto (que ainda tem viço) a do resto do corpo parecia papiro.
Sua expressão era estranha, um misto de desgosto de sentir a necessidade de ser auxiliada para fazer sua higiene pessoal, e o prazer de se banhar em um dia quente. Minha avó apresenta sinais de impregnação da medicação. Fazia movimentos estereotipados com a boca, por um segundo pensei que ela estava sem prótese dentária, mas não, são os remédios que a mantém um pouco menos doente, mandando seu recado.
Fazia muito calor no banheiro e a água ligava e desligava intermitentemente. Ela reclamava do frio quando o velho aquecedor insistia em não funcionar e desligar a água.
Meu avô ao me ver sair do banheiro com as roupas sujas de minha avó na mão perguntou: ela está tomando banho? Eu disse: Sim. Ele sorriu.
Eu não sei ao certo quantas vezes minha avó me deu banhos, sei que não foram poucas. Alias era isso que minha mãe dizia a ela quando ela repetia durante o banho: "estou dando trabalho, eu não queria fazer isso com vocês".
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