"O problema é quando sua mãe deixa de ser sua mãe e passa a ser a filha da sua avó."
Meu analista falava e repetia isso constantemente e infelizmente eu sou obrigada a concordar com ele... isso é um puta, um mega, um super problema do caralho.
Minha mãe volta e meia olha para mim com um olhar de dó (o mecanismo de convencimento da minha mãe oscila entre a chantagem emocional e o ódio incondicional). E manda uma bomba, ou um torpedo do tipo... ah se houvesse uma cura para a doença da sua avó... porra caralho, será que ela não vê mesmo que a vida ficou infinitamente melhor depois que minha avó foi forçadamente deposta do cargo de déspota esclarecida, graças a sua doença e por consequência deixou as outras peças do tabuleiro um pouquinho mais livres para se moverem?
Pelo visto tem peça que nasce grudada no tabuleiro, ou pelo menos colada com fita dupla face, mesmo que descole, sempre se gruda de novo em outro ponto.
Ah quando ela fala isso eu sinto ódio. Mas o problema não é isso, meu ódio é simples e evidente demais. O problema real eu acho, acontece quando a minha mãe tenta impor sua ignorância de peão mandado sobre mim... um exemplo disso, foi seu disparo mais recente, de ontem a tarde: "fiquei tão triste - pausa- suspiro- quando sua avó percebeu que não poderia dar a sopa para o seu avô, o queixo dela começou a tremer e ela começou a chorar" ... frase inocente? Inocente é história para boi dormir, isso é uma artimanha para me prender no emaranhado angustiante que minha avó sustentou por anos, e pelo visto recrutou bem suas soldadas para continuar prendendo seus descendentes nesta teia nojenta e grudenta.
As frases é claro, nunca vem sozinhas... vem acompanhadas de conversas bizarras como relatos de sonhos escatológicos (nunca vi uma criatura com tanta pulsão anal quanto a minha mãe) também de uma sensação de ser um ser perfeito, muito senhor de sua razão e sem grandes problemas. E finalmente para dar o acabamento o creme chantilly da vida da minha mãe... uma recusa permanente por ajuda, que evidentemente só poderia vir "de fora" porque ser filha da minha avó não é fácil não.
Mas acho que da mesma forma que minha mãe se conformou com a posição de "pobre trabalhora" que a minha avó lhe impôs, ela também deve amar sua posição de peão do reino decadente da minha avó. Só pode ser, já que a criatura faz de tudo para se manter na mesma posição!
Minha tia mais velha pode ser do inferno, mas pelo menos optou por tentar destronar minha avó, já que é para ficar maluca e sem dentes junto com a velha...
Ainda no mesmo dia, minha mãe tentava me convencer de que a tristeza de minha avó com relação ao cuidado do meu avô era um sinal de lucidez... lucidez?!?!?!!?
Por que minha mãe precisa tanto se agarrar na imagem de minha avó lúcida? Minha avó não tem memória recente, não retem nada, tá pior que passarinho, pergunta uma coisa, daqui a 1 minuto pergunta a mesma coisa, mexe e remexe nas mesmas coisas procurando algo que nem ela sabe o que é porque já se esqueceu... vê sexo em tudo, acha que a emprega se masturba no banheiro e que meu avô faz sexo com os enfermeiros...
O pior de tudo é que ela tenta empurrar seus delírios para cima de mim.
Insiste nas suas ilusões, me questiona sobre minhas colocações... um inferno. As vezes para me defender, tenho que ficar num vai e vem de argumentos para manter minha palavra, eventualmente eu acabo de saco cheio e vou para o meu quarto, se o saco explode vou para a minha casa. Atualmente é impossível dividir o teto com a minha mãe twenty four seven.
Entre os salpicos de ódio sinto tristeza ao perceber que minha mãe precisa sempre estar na posição submissa a qual minha avó lhe impós a mais de sessenta anos atrás.
Pior ainda é saber que ela prefere alimentar minha angústia com essa ladaínha a se colocar na postura de mãe e proteger a sua filha... a em nome da sua posição de filha de minha avó ela tantas vezes se esquivou.
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